Foi descoberto novo monumento megalítico funerário em Martinchel – Abrantes.
Trata-se de um monumento que aproveita parte de um afloramento e que na evolução tipológica deste tipo de estruturas aponta para uma fase intermédia.
Dispõe de um pequeno corredor com afloramento do lado direito e esteio do lado esquerdo. A tampa está fractura e no seu interior.
Até ao momento é o monumento desta fase encontrado, mais bem conservado na área.
Com a escavação integral deste esperam-se obter cronologias absolutas que nos forneçam elementos para a compreensão da evolução deste tipo de sepulcros na área.
Na mesma área de Martinchel nova arte rupestre também foi descoberta. Mais dois círculos gravados a picotado e uma covinha.
Esta área de Martinchel revela-se um local de forte potencial arqueológico e ao mesmo tempo define uma área fechada. É revelador de toda uma evolução em termos sincrónicos e diacrónicos das populações que ali se fixaram ou que por ali deambularam entre 4000 a.C. e 2000 a.C. Ali deixaram registados não só a sua arte mas os mais diversos monumentos funerários e não funerários, antas, recinto ritual e funerário, menir e povoados.
Para a área em causa está a decorrer o Projecto da responsabilidade da Doutora Ana Rosa Cruz do CPH - IPT de Tomar, Autorização MC nº 2007/1(438), fazendo eu parte também desse projecto como - Elemento da equipa núclear do SIPOSU – Projecto designado – “Sistemas de Povoamento e Subsistência – sequências culturais na transição entre o Mesolítico e o Calcolítico no Ribatejo”
Nesta área as intervenções já anteriormente efectuadas na “Pedra Encavalada” forneceram cronologias absolutas de 4000 a.C., provenientes de vários covachos sepulcrais dispostos em torno de um afloramento.
De igual modo as escavações no povoado da Medroa, em que se pôs a descoberto um menir e uma “estrutura habitacional” ovalada, forneceu datas compreendidas entre 4000 e 2000 a.C.
Com o actual projecto a área de investigação assim se alargou e se obtiveram amplos e importantes resultados.
Em Fontes está sendo escavado um povoado que forneceu estruturas de argila ovaladas cujas cronologias apontam para 8000 a.C., indiciando um Epipaleolítico com grande presença de indústria macrolítica (languedocense), cerâmicas do neolítico antigo evolucionado e do Calcolítico. As escavações continuam aqui a ser efectuadas, pois as cronologias absolutas obtidas são inequivocamente importantes e vão de encontro ás cronologias absolutas da estação da Quinta da Légua – Amoreira.
Anterior à intervenção no povoado de Fontes, foi escavada a mamoa de Aldeia do Mato, que embora não fornecendo qualquer cronologia se enquadra na que se escavou no Souto e que revelou uma urna cinerária do Bronze Final. Possivelmente uma mamoa também foi identificada na freguesia de Rio de Moinhos, e que assim ligaria o Tejo ao concelho de Vila de Rei, indicando o seu percurso uma via antiga (esta bem marcada a Norte). Mas a comprovar-se esta junto ao Tejo a sua importância acresce em relação a outros parametros de análise. Eventual tipo de estrutura, o factor implantação, cronologia e desta em relação ao enquadramento da área e desta em relação ás do planalto.
Esta área a Norte do Concelho carece ainda de imensa investigação e certamente irão surgir resultados deveras interessantes.
Estes novos resultados e descobertas tal como as anteriores (efectuadas pelo signatário deste blog) vem assim marcar uma área especifica cujos resultados longe estão de chegar ao fim.
Até novos resultados.
Saudações arqueológicas
Legenda: Do Neolítico antigo evolucionado ao Bronze final
A vermelho Arte Rupestre
circulos - Recintos funerários
cruz - povoados
losango - recintos rituais
estrelas - mamoas
Bibliografia
BATISTA, Á e GASPAR, F.
2007 – Dados Arqueológicos Inéditos a Norte do Concelho de Abrantes, in ZAHARA, Julho, ano 5 nº 9 e Revista online Ângulo (www.cph.ipt.pt).
BATISTA, Á. e CRUZ, A.R.
2008 – “Arte Rupestre em Abrantes – Novo Núcleo a Norte do Concelho, in ZAHARA, Julho, ano 6 nº 11 e Revista online Ângulo (www.cph.ipt.pt)